SP: padre que apoia gays anuncia afastamento e critica Igreja Católica
Um padre de Bauru, no interior de São Paulo, anunciou na manhã deste sábado em uma entrevista coletiva à imprensa, seu afastamento dos ministérios sacerdotais da Igreja Católica. Roberto Francisco Daniel, o padre Beto, tomou tal atitude depois de um pedido público de retratação feito pela Diocese local sobre declarações dele contrárias à Igreja em redes sociais. Nos vídeos, o pároco opina sobre assuntos considerados polêmicos pelos fiéis católicos como bissexualidade, infidelidade, além de avaliar os próprios costumes da Igreja.“Não tenho do que me redimir e muito menos a quem ou do que pedir perdão de tudo aquilo que eu fiz e do que eu declarei na internet. Se refletir é um pecado, eu sou um pecador. Sempre serei um pecador e não vou negar a minha postura de pecador”, disse.
Na próxima segunda-feira, prazo final estipulado pelo
bispo Dom Frei Caetano Ferrari para que o padre se manifestasse, ele
pretende entregar uma carta informando oficialmente à Diocese sobre a
decisão. O sacerdote elencou três principais motivos para seu
afastamento, entre eles o de que a Igreja não respeitaria a liberdade de
expressão e de reflexão que deveria ser baseado no modelo pregado por
Jesus Cristo.
“O modelo que temos a seguir é Jesus Cristo. E esse
modelo viveu plenamente essa liberdade e não só isso, fez com que as
pessoas refletissem e pensassem por si mesmas”, explica.
Além disso, segundo ele, os sacerdotes são orientados a
pregar regras que eles mesmos não vivem e as classificam como
ultrapassadas. Ele revela que muitas vezes os padres têm que “fechar os
olhos” diante de algumas questões como o uso de métodos contraceptivos
usados pela maioria dos casais e condenado pela Igreja.
Ainda em seu pronunciamento para os jornalistas, padre
Beto taxou a Igreja Católica como omissa diante dos problemas sociais.
Entre os exemplos citados por ele está a luta dos professores por um
salário digno, dos policiais e dos aposentados por melhores
remunerações, além do sistema penitenciário brasileiro que, na avaliação
dele, não exerce a principal função que é a de recuperar pessoas
excluídas da sociedade.
“Um país que não prioriza sua educação é um país que não
tem futuro. A Igreja deveria ser uma força ética em prol da educação.
Nós temos diversos problemas em que a Igreja deveria bater de frente. A
CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) deveria ter uma postura
firme diante do Congresso Nacional, que leva tanto dinheiro que é nosso
e faz muito pouco pela sociedade”, avalia.
Aos 48 anos, padre Roberto Francisco Daniel foi ordenado
em setembro de 1998. É formado em Radialismo (pelo Senac-SP) em
Teologia pela Universidade Estadual Ludwig-Maximilian de Munique, na
Alemanha, além de Direito pela Instituição Toledo de Ensino (Ite) e
História pela Universidade do Sagrado Coração (USC) ambas em Bauru. Ele
continuará sendo professor universitário e vivendo em Bauru.
Decepcionado com a Igreja
Padre Beto revela estar decepcionado com a repressão sofrida por parte da Diocese local e com a Igreja Católica. Ele diz que esperava apoio por parte do bispo Dom Frei Caetano Ferrari diante de suas declarações e questionamentos. “Ele disse que sou um ‘filho rebelde’. Ele é meu bispo e não meu pai. Pai eu só tive um. Esperava que ele me apoiasse que dissesse ‘eu tenho um padre que pensa’, mas não foi isso o que aconteceu”, avalia.
Padre Beto revela estar decepcionado com a repressão sofrida por parte da Diocese local e com a Igreja Católica. Ele diz que esperava apoio por parte do bispo Dom Frei Caetano Ferrari diante de suas declarações e questionamentos. “Ele disse que sou um ‘filho rebelde’. Ele é meu bispo e não meu pai. Pai eu só tive um. Esperava que ele me apoiasse que dissesse ‘eu tenho um padre que pensa’, mas não foi isso o que aconteceu”, avalia.
Apesar de pedir afastamento dos ministérios sacerdotais
da Igreja, ele explica que continuará sendo padre e seguindo as
doutrinas da Igreja Católica. Antes de anunciar sua decisão, ele revela
que até cogitou a possibilidade de mudar de Diocese. “Mas isso não iria
adiantar, toda a Igreja é assim, pensa assim”.
Nova religião
Admirado por muitos fiéis católicos na região de Bauru, a polêmica gerou comoção e inúmeras pessoas demonstraram apoio ao padre pedindo que ele não deixasse a batina. Questionado sobre a ideia de fundar uma nova igreja ele descarta possibilidade, mas não nega que continuará promovendo encontros religiosos, como grupos de oração. Ele até cogita voltar atrás em sua decisão, mas é taxativo: “só se a Igreja mudar”.
Admirado por muitos fiéis católicos na região de Bauru, a polêmica gerou comoção e inúmeras pessoas demonstraram apoio ao padre pedindo que ele não deixasse a batina. Questionado sobre a ideia de fundar uma nova igreja ele descarta possibilidade, mas não nega que continuará promovendo encontros religiosos, como grupos de oração. Ele até cogita voltar atrás em sua decisão, mas é taxativo: “só se a Igreja mudar”.
Durante a entrevista, padre Beto avaliou a escolha do
cardeal argentino como líder mundial da Igreja Católica. Segundo ele,
papa Francisco deverá promover mudanças na Igreja, principalmente quanto
a questões burocráticas, mas que dificilmente irão atingir as bases
como os dogmas e doutrinas.
Fonte: Terra

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