terça-feira, 13 de agosto de 2013


Análise - DuckTales: Remastered , volta aos games

Remake não se decide entre o passado e o

presente


O logo da Capcom que abre DuckTales: Remastered , assim que ele é ligado, é aquele utilizado nos jogos da empresa lançados nos anos 1990, acompanhado até do mesmo som usado na época. Caso você tenha passado tardes e tardes de sua infância acompanhado de títulos da empresa japonesa, sua veia nostálgica será atiçada imediatamente - o que é apropriado a um remake que desde o seu anúncio se calca fortemente em apelar para o sentimento de saudade e nostalgia tido por aqueles que jogaram a versão original há mais de 20 anos. No entanto, o logotipo é atual, liso e em alta definição, redesenhado a partir do original. Ele é, ao mesmo tempo, o suficiente para você se lembrar de como as coisas eram antigamente, sem de fato ser uma recriação do passado.
Essa mistura de coisas novas com antigas é bem representativa de DuckTales: Remastered, que não consegue se decidir se quer estar aqui ou acolá.
A versão atualizada d' Os Caçadores de Aventuras , feita pela WayForward , é mais uma espécie de contextualização moderna do jogo de NES do que propriamente um remake. As fases são as mesmas, em sua maior parte com cenários reconhecíveis, porém tudo é mais lógico e objetivado. Existem duas fases adicionais, uma no início e uma no fim da aventura, e há uma história por trás do desejo do Tio Patinhas de ir para várias localidades do mundo (e uma delas fora do planeta) em busca de tesouros perdidos. Os estágios, por sua vez, são abertos com cenas e diálogos nos quais uma razão para seguirmos um objetivo em específico é dada, como procurar pelos sobrinhos perdidos, encontrar partes de uma peça do avião do Capitão Boing, ou coletar moedas que abrirão uma passagem em um templo antigo.

Por causa dessas mudanças, DuckTales: Remastared se assemelha mais a um jogo moderno cujo design tem ideias retrô. O título tem presente características que são cada vez mais raras hoje em dia, como uma importância relativamente grande para o seu número de vidas (perca todas em uma fase e você terá de refazê-la) que deixam claras as origens do jogo. Entretanto, detalhes denunciam a modernização através da qual Remastered foi processada. No NES, nós nunca ligamos para a história por trás dos tesouros que o Tio Patinhas almejava, ou para o motivo de cada um dos chefes no fim das fases nos atacar, assim como nunca precisamos de um estágio introdutório que nos ensine como utilizar a bengala “pula-pula” do Patinhas, porém seria impensável um lançamento vir desacompanhando dessas informações. Nenhuma dessas mudanças é o suficiente para descaracterizar DuckTales, mas, observando o que foi alterado, é difícil não indagar o quanto que a fórmula do jogo original era um produto de sua época e, consequentemente, questionar o quão relevante ela é nos dias de hoje.
Além disso, apesar de algumas das mudanças serem bem-vindas – a lutas de chefe extremamente simples de NES foram reformuladas e os vilões todos têm novos golpes e precisam ser atingidos mais vezes antes de serem derrotados – a maior parte das novidades não são muito corajosas, nunca mudando o suficiente para tornarem DuckTales uma experiência que seja chamativa para pessoas que não têm uma relação nostálgica com a versão original. Ao mesmo tempo, o trabalho da WayForward não é só uma atualização gráfica do título de 1989, o que faz com que ele não seja um passeio pela memória para aqueles que jogaram DuckTales à exaustão na infância.
Esse meio do caminho, em que as decisões tomadas não pendem de uma vez nem para um lado ou para o outro, aparece em diversos aspectos de Remastered, mas me aterei aqui a um deles. As pedras preciosas escondidas pelo cenário, por exemplo, eram antes – com exceção de uma passagem na fase da floresta amazônica – itens meramente coletados para inflar sua pontuação, o que era algo aceitável para a época. Na nova versão, no entanto, em vez de retirarem o sistema antiquado ou darem um propósito maior às gemas, os colecionáveis foram mantidos como moeda de troca para abrirem desenhos dos personagens e dos cenários. Artes conceituais de jogos são bonitas e tudo o mais, mas elas são a recompensa mais desleixada que jogos podem oferecer e acabam denunciando o quão raso é DuckTales.
Duas horas e meia mais tarde – tempo que demorei para chegar ao fim de DuckTales: Remastered, mesmo morrendo o suficiente para receber game over duas vezes – meu pensamento era o de que Patópolis e os personagens que a habitam ainda têm histórias interessantes a contar. Eles merecem um dia ser revisitados, mas com uma aventura inteiramente inédita. Não com essa quimera montada pela WayForward.



Fonte: IG

Nenhum comentário :

Postar um comentário